Zaalouk – a salada de berinjela marroquina

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“Meu Deus! É exatamente como a minha mãe fazia!” Foi uma frase que escutei um par de vezes nessa viagem ao Marrocos. Em todos os lugares que parávamos minha mãe tinha alguma anedota maravilhosa para me contar sobre a nossa família e as comidas da minha avó.
As saladas de entrada no shabbat – berinjela, pimentão, beterraba, maionese; a dafina que era sem concorrência a melhor de Belém; o peixe que aprendi a reproduzir com maestria e pouca humildade; o cuscuçu; a carne de forno – sempre gorda, carne sem gordura nem pensar.
E eu escutava com a felicidade arqueológica de quem descobre um novo mundo, mas emaranhada de nostalgia por ter vivido esse mundo muito pouco. Um dos maiores desastres da minha vida foi ter perdido minhas avós cedo demais. Além de sentir saudades do carinho que só avó sabe dar, eu queria ter tido a chance de aprender as receitas delas.
Tenho os cadernos de ambas, o da minha vó Josefa, guardado a sete chaves e o da minha avó Esther, apenas online, alguém digitou e achou que não precisava guardar a versão física como se valesse mais que ouro – um erro catastrófico.
Mas uma receita escrita, apesar de todas as suas preciosidades, não é suficiente. Esse passo a passo não me explica que a minha avó cortava os vegetais já em cima da panela com uma faca na mão mesmo. Tampouco me explica que os três copos de água que manda a receita eram colocado aos poucos, quando “se achava” que deveria colocar.
Cheguei no Marrocos com vontade de ver essas receitas saírem do papel na mão de outras cozinheiras. Na minha última cidade encontrei uma moça que dava aula para turistas e pedi para aprender a fazer o cuscus com carne e as saladas. Ela cortava tudo com uma faquinha na mão – nada de descascador, exatamente como a dona Esther, e me ensinou a colocar os três copos de água no cuscus em um processo que durou umas duas horas, tudo no olho. Tem que saber pelo toque, peso e aparência quando colocar mais água – como que se aprende apenas lendo?
Além do cuscus, que me fez ter vergonha de todos os que já cozinhei na minha vida, ela fez uma salada de berinjela fenomenal, chamada zaalouk. Essa, típica de Marrakech, era um pouco diferente da que a minha avó fazia, mas igualmente deliciosa, e é a primeira receita que escolho compartilhar com vocês dessa viagem maravilhosa.

Ingredientes:
1 berinjela grande
2 tomates grandes
1 alho pequeno ralado
1/2 colher de chá de páprika
1/2 colher de chá de cominho
1/2 colher de chá de sal
Óleo de girassol suficiente para fritar a berinjela
1 colher de chá de salsinha picada

Como fazer:
Corte a berinjela em rodelas de grossura média, mais ou menos 1 dedo, e as maiores em meia rodela.
Frite em óleo quente até os dois lados estarem dourados e reserve, tirando o excesso de óleo com papel toalha.
Rale o tomate em um ralador grosso e o alho em um fino. Coloque em uma frigideira 2 colheres do óleo em que a berinjela foi frita, o tomate, o alho e os temperos, menos a salsinha picada.
Em fogo médio deixa o tomate reduzir até virar um molho sem muita água, por volta de uns 10 minutos. Enquanto isso esmague as berinjelas com um garfo em algum lugar que o óleo em excesso possa sair, como uma peneira.
Quando o molho estiver reduzido, junte a berinjela e logo em seguida a salsinha. Misture bem e sirva! Quente ou a temperatura ambiente.

Top 3: Cheeseburgers de São Paulo

Tirando cozinhar o dia inteiro, tem meses que não cozinho. E falo do processo de maneira geral – de começar um prato comprando os ingredientes na feira, fazer todas as etapas e terminar montando da maneira que eu bem entender. Então, já que esse é um blog principalmente de receitas, tem meses que não posto, e estou com saudades – do cozinhar e do escrever.
Mas não falemos muito do que eu não tenho feito. O que eu ando fazendo, e fazendo muito bem, diga-se de passagem, é comer fora. E principalmente hamburguer, ainda mais que agora eu moro com o melhor youtuber especializado na área: o Gabriel Pereira (olha aí um vídeo dele – https://m.youtube.com/watch?v=2NKRPQhwQfo).
Portanto nada mais justo do que dividir com vocês os meus hamburgers favoritos de São Paulo! Aqui vai uma listinha com o meu top 3 atual, espero que vocês gostem!

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3 – Vinil
O Vinil é basicamente a minha segunda casa. Eu devo comer lá pelo menos uma vez na semana e é sempre o mesmo padrão incrível. Pode ser meio dia ou onze da noite, o sanduíche que você come ali é o mesmo, e manter um padrão é algo bem difícil, então eles merecem pontos extras por isso. O sanduíche custa 24 reais e vem com bacon, queijo, tomate, alface, cebola roxa, cebola caramelizada e picles. E eles ainda te dão maionese e ketchup da casa de graça, o que os deixa como o melhor custo benefício de São Paulo, de longe. E ah, nunca esperei mais que 15 minutos por um hamburguer, mesmo nos dias mais lotados.
A batata frita com chilli merece menção honrosa, uma delícia e enorme, já foi meu jantar um par de vezes. Recomendo fortemente.

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2 – Z Deli
Não ganha em primeiro por décimos. Por uns deslizes dos últimos meses, mas coisa boba, vai passar.
A batata frita com pastrami é simplesmente a melhor de São Paulo. Uma delícia embebida em cheddar, sour cream, pastrami frito e cebolinha. Sempre quentinha, crocante, salgada na medida e enorme.
Sobre os sanduíches dois disputam meu coração – o rossini, que é com tutano e molho rôti e o barbecue, clássico dos clássicos, mas feito de maneira primorosa. Carne super suculenta, melhor pão possível – afinal, ali também é uma padaria – e bacon bovino, que é delicioso. Os drinks também estão mais que aprovados, e mesmo tendo fila, nunca demora muito para chegar, e mesmo se demorasse, vale a pena esperar.

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1 – Underdog
Foi doloroso ver o Z Deli, uma casa que tem um lugar especial guardado desde 2010 no meu coração, ficar para trás. Mas o Underdog anda imbatível. A carne mais suculenta que você vai provar, feita de costela, no ponto mais correto possível. Aliás, o garçom nem te pergunta o ponto, é contra as regras da casa pedir ponto diferente do vermelho.
O hamburguer custa 20 reais e você vai adicionando tudo que quer – bacon, queijo, jalapeño, molho tártaro… Entre as excelentes possíveis combinações gosto da de queijo com chimichurri; bacon, cheddar e molho tártaro e cream cheese com jalapeño.
O único problema é que se a casa estiver cheia, demora, então vá com algum tempo livre, e de preferência cedo, para não se estressar, mas não deixe de ir – restaurantes melhoram e pioram num piscar de olhos, e essa excelente fase do Underdog merece ser bem aproveitada!

A mãe de todos os básicos: o caldo.

IMG_6617.JPGDe todos as mudanças que a cozinha sofreu no seu tempo moderno, o tablete de caldo é, sem sombra de dúvida, uma das que mais dividem opiniões. Trocar um caldo riquíssimo em camadas de sabores e nutrientes por uma combinação de aromatizantes e uma bomba de sódio é uma perda inestimável, e apesar de não ser nada saudável é muito comum ver em qualquer casa um saquinho.

E afinal é comum porque  esses “truques” têm uma enorme importância social: ingredientes como comida pronta e caldo em pó libertaram muitas mulheres do papel de cozinheiras de suas famílias; enquanto um caldo demora 3, 4 horas para ser feito, um tablete derrete em segundos, diminuindo insanamente o trabalho que é cozinhar, o que foi e ainda é revolucionário para muitas mulheres para quem a jornada dupla é uma obrigação.

Aí jaz o meu misto de ódio com apreciação pelo caldo em pó – o agradeço pela revolução de tempo, e portanto escolho não julgar ninguém que verdadeiramente precise usar um tabletinho, e o odeio porque o tempo é um ingrediente essencial para a cozinha, e sem o tempo devido perde-se muito em sabor.

Para quem tem o luxo das horas, recomendo fortemente gastá-las com comidas que precisam se perder cozinhando e perfumam a casa toda com aquele cheiro maravilhoso de bem-estar. E entre essas comidas, o caldo é o rei, então pode jogar o tabletinho fora. Se você for tirar seu domingo para fazer qualquer receita, eu recomendo uma que leve caldo. Ou apenas tirar um domingo para fazer litros de caldo e deixar congelado no freezer – uma mão na roda para um risoto, uma sopa ou uma semana mais feliz.

Ingredientes:
1 kg de coxa de frango sem pele – ou ossos, ou carcaças
2 cebolas grandes
2 cenouras grandes
1 aipo
1 alho-poró, com talo e folhas
1 tomate
4 dentes de alho
2 folhas de louro
2 colheres de azeite
1 colher de chá de pimenta preta em grãos
Ervas à gosto – uso sempre tomilho e alecrim
3 litros de água e uma panela que caiba tudo
Uma peneira

Como fazer:
Lave muito bem todos os ingredientes menos o frango (afinal, frango não se lava, caso você queira limpar a carne esfregue bem com bastante limão. Minha avó deixava o frango em um banho de água com cachaça para limpa-lo, fica aí de sugestão também). Em seguida descasque o alho e a cebola e corte em pedaços grosseiros, assim como a cenoura, o alho poró (sem o talo), o tomate e o aipo.
Frite os pedaços de frango em um colher de azeite até dourar bastante e em seguida adicione os vegetais e os frite também, use a outra colher de azeite se precisar de óleo. A preferência é que a panela seja de ferro e que marque bastante o fundo, mas use o que você tiver. Quando todos os alimentos estiverem bem dourados adicione a água e diminua o fogo. É lindo ver como a água muda de cor na hora que entra em contato com a comida. Cozinhe sem deixar ferver por 3 horas, até que o caldo esteja bem escuro. Tire a espuma que ficar em cima do caldo e passe por uma peneira fina, ou um pano de prato limpo em um coador.
Nessa hora eu gosto de temperar de leve com um pouco de sal, principalmente se eu for tomar na hora, mas para congelar ou guardar na geladeira é melhor guardar sem sal e temperar apenas quando for ser usado.
Ps congelamento: coloque o caldo em formas de gelo e depois de congelado em saquinhos fechados – duram até 3 meses.
Ps geladeira: duram até uma semana na geladeira.
Ps substituições: quer fazer de carne? Procure carnes com ossos e o processo é o mesmo, para camarão também – só usar carcaças e cabeça.

Pierogi

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Nessas últimas semanas me prometi que, por mais cansada que eu estivesse do trabalho, iria conhecer um lugar legal no meu curtíssimo horário de almoço – afinal, não é de cortar cebola por horas e horas que quero criar memórias do meu dia a dia.
Ontem sai correndo do trabalho e em cinco minutos estava sentada no Polksa 295, já apaixonada por aquele lugar pequeno com o menu desenhado nas paredes, livros de gastronomia na estante, cozinha aberta e luzes penduradas. Para aumentar meu amor pelo lugar, nos banquinhos vermelhos ao lado, estavam duas senhoras sentadas ao meu lado conversando sobre suas vidas em Amsterdã, Washington e Israel. E que sentiam saudades de Jerusalem, olha a coincidência.
Pedi uma entrada e um prato juntos, não tinha muito tempo para aproveitar aquele aconchego de restaurante, mas também não sou de conseguir comer um prato só. Um patê que veio perfeito, acompanhado de três generosas fatias do pão da casa, de fermentação natural. De quebra uma geléia deliciosa pra comer junto. De prato principal pedi os pierogis de batata com queijo, ou varenikes, se seu coração pende mais pro lado da Ucrânia. Comi pensando que certas coisas são exatamente o que a gente precisa, como pierogis de batata quentinhos com cebola frita e sour cream em um dia frio e de trabalho chato.
Olhei pro relógio, vinte minutos até eu ter que estar de dolma cortando mais carne em cubinhos perfeitos. Pedi sobremesa, um crumble de amora, porque tem vezes que precisamos de mais comida para inspirar nosso trabalho de cozinheiro. E comida assim, com alma, com gosto e com muito amor, como você vai encontrar no Polska 295.

Polska 295:
Rua Simão Álvares, 295 – pinheiros

Básico V: O omelete perfeito

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Quando eu tinha 18 anos me prometi que aos 25 compraria, com o meu próprio dinheiro, uma bolsa chanel preta, aquela clássica de correntinha que a gente usa em um ombro só e foi chic em algum momento da história. Outras promessas vieram e essa ficou esquecida, até que por ventura hoje me deparei com uma vitrine com a bendita bolsa – 17 mil reais. Dei uma alta gargalhada dos meus 18 anos, e olhe lá que esse nem foi meu pior desejo, lembremos que nessa idade eu também decidi cursar direito.

Bem, hoje em dia não é só a falta de 17 mil reais que me afastam da compra – não quero uma nem da 25 de março, aliás creio que me falta dinheiro inclusive pra falsificada. Comecei devagarinho a lembrar de várias outras promessas que hoje pareceriam castigo cumprir e das que ainda guardo com muito carinho – como viajar muito, ler ao menos um livro por mês, aprender italiano de verdade e fazer o omelete perfeito, que é o motivo pelo qual eu perdi o tempo de todo mundo falando da bolsa chanel.
Esse omelete de espinafre na manteiga, tomate e queijo de cabra é o meu favorito da vida. Ele é a minha definição de perfeito – dourado por fora, cremoso por dentro, tomate explodindo e bastante queijo derretendo, sem contar que ainda tem aquele gostinho de espinafre na manteiga. Recomendo comer com um café e um domingo de manhã.

Ingredientes (para uma pessoa que sabe viver bem):
1 colher de manteiga
2 ovos
1 punhado de espinafre
10 tomatinhos cereja
1 colher bem cheia de queijo de cabra em pedacinhos
Sal e pimenta
Ps: uma boa frigideira ajuda muito.

Como fazer:
Antes de começar quebre dois ovos em um bowl e bata bastante com um garfo, até a gema e a clara estarem completamente misturadas. Quanto mais ar entrar, mais fofinha a omelete vai ficar.
Com a frigideira ainda fria, coloque a manteiga e espere derreter em fogo médio. Em seguida coloque o espinafre e espere reduzir, e aí coloque o tomate. Logo em seguida já pode colocar o ovo batido, tentando deixar o tomate e o espinafre equilibrado – pra que não fique concentrado tudo em um lado da frigideira.
Quando começar a desgrudar das bordas, pode colocar o queijo, também bem equilibrado ao redor da frigideira. Com uma espátula ou uma colher comece a tentar virar o omelete, com cuidado, para que ele não quebre. Ele vai quebrar menos se o tomate estiver cortado em pedaços – mas eu gosto deles inteiros, ai a decisão fica com vocês.
Conseguindo virar, já pode desligar o fogo! O calor residual vai ajudar a cozinhar o resto. Agora é só servir deslizando o omelete para o prato.

Guia de como fazer pasta em uma panela só

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De uns anos pra cá descobri a beleza de fazer um macarrão em uma única panela (inclusive já tem receita dele aqui no blog) e desde então nunca olhei pra trás.
Mas pra fazer um bom macarrão em uma única panela e aperfeiçoar a sua preguiça, é necessário seguir algumas regras à risca:
– A pasta precisa ser de boa qualidade e cozinhar em no mínimo 10 minutos – se cozinhar mais rápido que isso não vai ficar al dente.
– A quantidade de água necessária muda de acordo com a sua panela – é preciso colocar água logo acima de onde ficam os ingredientes, se não a água não vai engrossar o suficiente para virar molho.
– Comece com os ingredientes que vão dar sabor pra água, como bacon, cebola, alho poró, frango, cenoura… o que você quiser! Depois coloque o macarrão e logo em seguida a água, deixe em fogo médio até o macarrão ficar al dente.
– Queijos e outros que derretem ou servem pra dar cremosidade, vão por último. E daí é só servir.
A receita que eu vou passar pra vocês representava literalmente tudo que eu tinha em casa: macarrão, queijo prato, bacon, alho poró e creme de leite, e recomendo essa combinação fortemente, mas dominando essas regras você pode fazer com o que quiser!

Ingredientes (para duas pessoas que sabem viver bem):
200 gr de macaroni seco – MAS pode ser qualquer pasta que cozinhe em pelo menos 10 minutos
120 gr de bacon – OU filé de frango, carne, porco cortado em tiras finas, ou cogumelo! – enfim, alguma proteína
1 talo grande de alho poró OU cebola, cenoura, tomate, berinjela!
4 fatias de queijo prato MAS pode ser qualquer outro queijo que derreta, tipo parmesão, mozzarella…
2 colheres de creme de leite, OU leite, ou cream cheese, ou nada também!
1 colher de azeite – MAS claro que pode ser óleo, ou manteiga, só não pode ser margarina
Água – aí realmente não dá pra substituir
Sal e pimenta

Como fazer:
Corte o bacon e o alho poró em tiras finas, e frite no azeite em uma panela ou frigideira levemente alta.
Quando o bacon estiver crocante, coloque o macarrão e logo em seguida a água, em temperatura ambiente. Tempere com uma pitada de sal e pimenta. O macarrão vai pegar o gosto dessa água e ficar sensacional.
Quando a massa estiver cozida e a água reduzida bastante, coloque o queijo e o creme de leite e misture bem.
Sirva!

O timing do Al Limone

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A primeira vez que comi um spaghetti al limone foi quando minha mãe fez para um almoço de domingo há pelo menos uma década atrás. Eu, viciada em molho quatro queijos, reclamei horrores e fiquei pensando que ideia horrorosa era aquela de colocar limão no macarrão. Admito que a Esther criança era mais amarga que um limão tahiti que ainda não está maduro.
Depois de umas boas reviravoltas no meu paladar e no humor voltei a provar o tal do al limone, também com a minha mãe – minha eterna companheira de descobertas gastronômicas, no Rustico em Tel Aviv, um restaurante italiano na Rotschild, que vai sempre ter meu carinho, assim como a rua cheia de lembranças boas.
Para a minha surpresa eu amei a receita. Amei o ácido do limão com o salgado do alho bem fritinho e aquele frescor do creme de leite. Basicamente roubei o prato da minha mãe e dei pra ela o meu – algo tão não marcante que nem consigo me lembrar o que era agora.
Era timing o que faltava no al limone da minha mãe – precisava eu ter comido tudo que comi para saber apreciar esse molho maravilhoso.

Ingredientes:
200 gr de spaghetti ou a massa da sua preferência
1 limão siciliano
250 ml de creme de leite fresco
2 alhos picados
1 colher de azeite
Sal e pimenta
Algumas folhas de manjericão – totalmente opcional

Como fazer:
Comece cozinhando o macarrão como manda as instruções da caixinha, até ficar al dente.
Enquanto o macarrão cozinha, frite o alho em azeite até ficar dourado e crocante, adicione o creme de leite, misture por 1 minuto e desligue o fogo. Com o fogo desligado misture o suco de 1 limão siciliano e as raspas – se o creme de leite estiver muito quente ele vai coagular com o ácido do limão e você vai aprender a fazer ricota, então cuidado!
Prove para sal e pimenta e adicione o manjericão, misture com a pasta quente depois de escorrer toda a água e sirva em seguida!

Ottolenghi e vegetais assados no mel

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Outro dia estava relendo as notas do meu celular antigo e esbarrei com uma de 2013 falando do meu pavor ao ler uma receita de omelete de claras com óleo de coco. Mal sabia eu que as coisas só iam ladeira abaixo depois disso – hoje em dia defendo esse omelete com unhas e dentes quando penso que tem gente que prefere misturar um pó em água e se dizer alimentado. Ao menos clara de ovo com óleo de coco é comida! Que curva errada foi essa que tomamos pra ter se tornado normal o consumo de albumina desidratada?
Mas bem, cuidemos do que podemos de fato cuidar: as curvas certas (afinal, a batalha contra os crossfiteiros e seus shakes está perdida). O Ottolenghi é a curva certa. O Ottolenghi é aquele cara que você apresenta para os seus pais e diz: “é esse pro resto da vida”.
Yotam, para os íntimos como eu gostaria de ser, é um chef israelense que defende a culinária local e fresca, o uso de orgânicos e principalmente a cozinha baseada nos vegetais. Os vegetais são os camaleões da cozinha – eles podem se transformar em tantas coisas diferentes que é um absurdo que eles sejam meros figurantes no nosso dia a dia. Se alguma coisa pode nos salvar desse futuro de comida pronta e encaixotada é essa corrente de voltar às raízes e conhecer de onde vem a comida – e reconhecer os vegetais como protagonistas da nossa alimentação é essencial para esse movimento.
Deixo com vocês dois conselhos, primeiro essa receita de vegetais assados maravilhosa, e em segundo a sugestão de comer mais comida de verdade e cada vez menos coisas de caixinha, é só dar uma chance para um espinafre que ele te mostra que tem mais proteína e sabor que muitos enlatados por aí.

Ingredientes (para duas pessoas, multiplique o quanto quiser):
4 cenouras médias descascadas
1 batata doce grande cortada em dois ou duas médias
1 cebola cortada em 4
1/2 erva doce fatiada
2 colheres de mel
2 colheres de vinagre balsâmico
3 colheres de azeite
Sal, ervas e pimenta a gosto

Como fazer:
Lave bem todos os vegetais e corte como explicado nos ingredientes.
Coloque tudo em uma assadeira e tempere com o mel, o vinagre balsâmico e o azeite. Mexa bem para que todos os vegetais fiquem em contato com o líquido e depois tempere com sal e pimenta. Leve ao forno de 200 graus por 40 minutos, ou até os vegetais estarem macios.

Resolução de ano novo número 1: ser mais saudável versão almôndegas de salmão

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Esses primeiros sete dias de 2017 foram, por hora, nada mais que um 2016 lado B, afinal a vida não muda magicamente quando entra primeiro de janeiro. Tenho sido a mesma pessoa que pula o café da manhã, come algo incrível no almoço e se esbanja num bom jantar de amigas, bebidas e receitas mirabolantes. O amor pela comida e por passar horas ao redor da mesa beliscando e jogando conversa fora não quero mudar nunca, mas quero ter um hábito ou outro mais saudável, como por exemplo de fato comer mais proteína, pois se depender de mim fico a base de pão com manteiga e macarrão com queijo durante semanas. Portanto vou tentar começar a colocar um ovinho no café da manhã que vai passar a existir, mais cogumelos no almoço e um peixinho de vez em quando. E com essa receita, que é uma delícia, e apesar da semana de atraso, declaro iniciada a minha tentativa de ter uma dieta mais equilibrada.

Almôndegas de salmão (para duas pessoas que sabem viver muito bem)

Ingredientes:

400 gr de salmão

2 colheres cheias de cebolinha picada

2 colheres de cebola roxa picada – 1/2 cebola roxa pequena

2 alhos picados

2 colheres bem cheias de cream cheese

Sal e pimenta

Como fazer:

Primeiro pique a cebolinha, a cebola, o alho e reserve. Em seguida, numa tábua bem limpa e com uma faca afiada, tire qualquer resquício de pele e pique o salmão em pedaços pequenos, como quadrados de 0,5 cm. Depois misture bem todos os ingredientes, menos sal e pimenta – eles vão apenas na hora de grelhar, e forme bolinhas com uma colher cheia de salmão.

Reserve na geladeira por até 24 horas, quando for usar, frite as almôndegas em uma colher de azeite por 3 minutos de cada lado e sirva! Com sanduíches, saladas e com macarrão, como esse da foto.

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Melhores de Brasília 2016

Oi, gente!
Como amei meu post dos favoritos em 2015 resolvi fazer uma lista nova para os restaurantes que fizeram do meu 2016 um ano melhor. Espero que vocês aproveitem tanto quanto eu!
Melhor pão:
Desbancando a concorrência está o pão do Varandas – que baguette levain maravilhosa! Além do mais eles cortam para você, o que é um plus enorme para porcionar certinho aquele brioche maravilhoso deles.
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Melhor café da manhã:
Seguindo invicto pelo segundo ano é o café da manhã do Daniel Briand. Eu sei que o pão de queijo do Ernesto é sensacional, que o Dylan tem sanduíches bacanas, mas a combinação de croissant, queijo ementhal, geléia de framboesa e patê da casa me conquistou para sempre.
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Melhor cafeteria:
Seu Patrício.
Pode chamar de marmelada o quanto quiser! Quando vocês provarem o capuccino com um pão na chapa com manteiga de noz moscada e geléia de morango com pimenta, vão me pedir desculpas. Sem contar que o lugar é lindo, as músicas são sempre ótimas e o serviço é excelente.
E claro, porque a Maloca fez o menu.
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Melhor jantar:
O novo melhor restaurante da cidade é o Authoral, na asa sul. Que menu maravilhoso! A entrada de gyoza e o magret de pato com gnocchi de abóbora e dashi de bacon são fantásticas. E que refrescante é ver um menu diferente nessa cidade! Mas se você ainda é um daqueles que ama carne com batata e só come isso, não se acanhe, eles tem um prato de filé com mil folhas de batata e cogumelos que é excelente. O único problema: comi duas sobremesas já e não gostei de nenhuma, mas fico aqui torcendo para gostar da próxima.
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Melhor almoço:
Gero. Gero. Gero.
Nada bate o couvert, ou os pratos, ou a sobremesa. Na verdade nada barra a consistência desse lugar – é sempre bom. E só isso já é motivo para ser  o melhor de Brasília. E o ambiente é uma delícia, serviço ótimo.
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Melhor foodtruck:
 Um novo amor entrou na minha vida essas quintas: o Vinny Foodtruck. Pensem numa pizza boa. Massa napolitana típica, bons ingredientes. Além do mais o serviço é rápido mesmo com fila, o que é muito importante em um foodtruck.
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Melhor barganha:
O Du Pará fica na w3 norte e é basicamente um boteco, espere por pratos de plástico e cadeiras de bar. Mas também espere pelo melhor arroz de pato de Brasília. Além de um atendimento caloroso e sempre simpático. Na concorrência ficaram o Arabeske e o Lola Petiscos – também vale a pena conhecer.
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Melhor hamburguer:
Para mim é o hamburguer do Parrilla Madrid – o valor que eles dão para a carne e o brioche fazem o prato. Eu sei que é caro, mas vale demais a pena e é uma refeição que deixa qualquer um bem cheio – é super bem servido. Vá e ainda prove as entradas que são deliciosas, o parrilla madrid é bom em tudo.
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Melhor hot dog:
Se Brasília é famosa por alguma coisa é por ter uma barraquinha de cachorro quente em cada entrada de quadra. O hot dog do posto policial da 104 norte é, para mim, o mais sensacional por conta da maionese de alho, que é muito bem feita. Por oito reais é a melhor refeição que Brasília pode oferecer.
Melhor bar para comer:
Swine bar e quatrocentos ficam empatados – afinal, depende do que você quer: vinhos ou cerveja; uma noite mais chic ou mais pé-sujo. Independente do que você preferir, os dois são ótimas pedidas!
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Melhor novidade:
O Macunaíma’s Pub. Cheio de comida brasileira esse pub veio inovar uma quadra já cheia de bares! Vale acompanhar como o lugar cresce em 2017, e caso você visite logo, peça o pastel de vento com vinagrete. Que delícia!
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