Portinha

Algo que gosto de colecionar são esquinas favoritas. Do lado de casa em Montevideo, na última rua antes da Rambla, esquina com a Calle Amsterdam, tem uma confeitaria que (verdade seja dita; nunca entrei) é linda, bem antiga, com aqueles letreiros vermelhos fluorescentes e da escadaria dá para ver entre as folhagens das árvores típicas de Montevideo a água do mar Del Plata. Não consigo passar nessa esquina e não sentir aquele aperto de saudosismo das coisas que vivi ali. Em Belém minha esquina favorita tem que ser a da Dr. Malcher com a Gurupá – a esquina da Portinha. A Portinha é uma entidade paraense em relação a comida. É um lugar mínimo, quente, de 9 metros quadrados em que você pede e vai comer sentado ali na calçada da cidade velha, se tiver sorte nas cadeiras da esquina e se tiver mais sorte ainda no degrau de algum daqueles casarões antigos. O armazém do lado, que sempre tem uma mesa de senhores jogando baralho, toca a mais sensacional coletânea de bregas antigos e serve de trilha sonora perfeita para aquela sensação gostosa de cidade velha, de conhecer uma Belém de 1950. A vontade que eu tenho é de passar a tarde inteira lá entre cocas ks e salgados de pato com jambu. Ou de bacon, queijo cuia e jambu. Ou aquele pão de batata e queijo cuia divino. Ou o vatapá. Ou o pastel de cupuaçu. Ou do doce que queijo e vinho. Ou de qualquer coisa que o dono, super simpático, tiver a oferecer no dia, porque uma coisa é certa: pra causar tanto amor por uma esquina só a certeza de uma comida sempre espetacular.

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