Bottarga

Achar um bom restaurante quando viajando não é fácil – tem umas mil regras e dicas por trás. O básico todo mundo conhece: trip advisor e foursquare são boas ferramentas com suas devidas ressalvas; muito turista no lugar é provavelmente furada; fila longa na porta é um bom sinal, enquanto restaurante vazio é uma dica para correr; menus enormes são sempre um erro na vida, viajando ou não, e afins.
Mas tem também a arte da sorte, de cruzar a rua certa e esbarrar com aquele lugar cheio de charme que vai ter um prato maravilhoso para marcar sua viagem. E bem, sorte não se ensina. Na minha última viagem para Buenos Aires tive o fado de cruzar com um restaurante italiano de bairro, pequeno, mesas ao ar livre, preço simpático e cheio de charme. O especial do dia era um linguini com carpaccio de camarão e bottarga ralada em cima. Foi amor a primeira garfada – a combinação do doce do camarão com o salgado da bottarga envolvidos numa pasta perfeitamente al dente vai ficar no meu coração e na cozinha para sempre, assim como essa maravilhosa sina de dar sorte em cruzar as ruas certas.
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Vamos lá, fazer bottarga não é fácil, mas também juro que não é nada de outro mundo, e o índice de satisfação que é curar o seu próprio alimento vale qualquer esforço. Primeiro temos que achar uma ova de tainha com ovos dentro, e isso só acontece durante o meio do ano, eu comprei a minha em agosto, mas normalmente em julho já não tem mais.
O segundo passo, depois de comprar as ovas, é agora limpar em água corrente, com muito cuidado para não rasgar a película protetora. Seque com papel toalha e coloque em uma assadeira ou em um prato grande. Passe azeite, com cuidado, por toda a ova e coloque bastante sal em cima e embaixo, como na foto. A intenção do azeite é proteger as ovas de ressecarem e a do sal é de desidratar as ovas, e portanto, conserva-las. Coloque um pano de prato leve em cima e coloque para secar em uma área protegida, mas que tenha acesso ao sol. Se na sua cidade o sol é muito quente, deixe só por algumas horas do dia. O sal e o sol vão fazer com que as ovas soltem água, portanto é bom deixar um papel toalha no fundo da assadeira para recolher o excesso de água, e troca-lo sempre que possível. Diariamente também é importante colocar um pouco mais de sal, trocando as ovas de assadeira para manter em um prato sempre limpo. Elas ficaram prontas quando estiverem durinhas e prontas para ralar, em Brasília, que é seco, o processo durou 6 dias, mas dependendo da umidade do ar da sua cidade pode durar mais.
Quando pronta guarde em um saquinho bem fechado na geladeira por até seis meses.
Para comer basta ralar em cima de peixes ou um linguini com manteiga, meu preferido.
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